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Rui Costa Pinto - Jornalista/Editor/Publisher

sábado, novembro 06, 2021

JORNALISMO DE RASTOS E A MEMÓRIA DE LOUÇÃ

Em Agosto de 2020, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que o «presidente não vai alinhar em crises políticas, portanto desenganem-se os que pensam que se não houver um esforço de entendimento vai haver dissolução do Parlamento».
À luz dos últimos acontecimentos, nenhum jornalista, designadamente os que acompanham o presidente, foi capaz de perguntar a razão para uma tal monumental cambalhota. Felizmente, Francisco Louçã tem memória. E a SIC Notícias tem, semanalmente, o "Momento Zen" que está disponível para quiser ver.

MAIS SONDAGENS CURIOSAS

A Universidade Católica levou a cabo uma sondagem, concluída a 4 de Novembro, um dia antes da comunicação presidencial de dissolução de 5 de Novembro, e divulgada a 6 de Novembro. Coincidências. Nos próximos tempo, não vão faltar sondagens curiosas.

P. S. Quem pagou a sondagem?

sexta-feira, novembro 05, 2021

MARCELO: FALTOU VERDADE E MEA CULPA

Os mais descrentes nas instituições e na política não terão paciência para aferir a última comunicação do presidente, pelo que vale a pena recordar sete factos objectivos que explicam a ausência de uma prestação de contas com toda a verdade:

Facto 1: Em vez de assumir o papel de árbitro, a cima dos partidos políticos, o presidente interferiu e ameaçou insistentemente com a dissolução desde 21 de Outubro, seis dias antes da votação no Parlamento, tendo feito idênticas referências ao longo dos 14 dias que antecederam a data para a aprovação na generalidade do Orçamento do Estado para 2022;

Facto 2: A ingerência presidencial na vida parlamentar e partidária abriu a porta a todos os cálculos eleitorais, desde logo da parte do governo que deitou prematuramente a toalha ao chão;

Facto 3: A generalidade dos analistas e comentadores são unânimes, dando corpo à estupefacção dos cidadãos com as declarações do presidente a montante do chumbo do orçamento;

Facto 4: A devolução da palavra ao povo, depois de uma perturbação exibicionista, aconteceu no momento em que o governo não apresentou uma moção de confiança nem foi alvo de uma moção de censura, aliás, mantendo-se em funções, o que revela como a mera vontade pessoal atropelou o texto constitucional.

Facto 5: A tão propalada urgência culminou num surpreendente esticar da data das eleições antecipadas, atirando a vigência de um novo orçamento para o final do primeiro semestre de 2022;

Facto 6: Mais revelador ainda é o silêncio sobre a razão pela qual não demitiu o governo, como defendeu o jurista Jorge Bacelar Gouveia, oportunamente, ao alertar que Portugal fica com um governo à solta;

Facto 7: O auto-elogio da viabilização de três orçamentos, ao tempo em que era líder do PSD, omite que tal não constituiu qualquer garantia de estabilidade, pois António Guterres, na noite de 16 de Dezembro de 2001, apresentou a demissão ao então presidente da República, Jorge Sampaio.




PORTUGAL SEM LEI COM LEIS PARA TUDO

A profusão legislativa, do tema mais fracturante à insignificância, é um tique português transversal a todos os quadrantes políticos. A regulamentação é quando Deus quiser; depois, a orçamentação das implicações financeiras tem dias; e, finalmente, o resultado é a não aplicação da Lei. Haverá melhor exemplo, nos dias que correm, do que a Constituição?

RIO SEM DÉCIBEIS

Rui Rio é certeiro quando diz que a oposição não é mais eficaz por aumentar os decibéis. E volta ter razão quando aponta Assunção Cristas. Mas o líder do PSD não diz tudo. Tal como aconteceu com a ex-líder do CDS/PP, o problema é que, além da ausência mediática, Rui Rio tem um discurso exemplar e uma prática política inconsequente, como demonstra ao negar apoio ao pronunciado Rui Moreira e ao mesmo tempo manter a confiança no secretário-geral do PSD também pronunciado por um tribunal.

ELEIÇÕES ANTECIPADAS A 30 DE JANEIRO

Um discurso defensivo e contraditório, que invoca uma espécie de estabilidade mas resulta em mais incerteza. É um presidente prisioneiro de uma decisão precipitada, com base na ameaça descabida, que apanha uma parte do espectro partidário num processo eleitoral interno. Em síntese, as eleições antecipadas são a 30 de Janeiro de 2022.

quinta-feira, novembro 04, 2021

DA AMEAÇA À FORMALIZAÇÃO DA DISSOLUÇÃO

A comunicação da dissolução é um dos momentos mais graves em Democracia. E, depois do que se passou nos últimos 15 dias, tudo tem que ficar cristalinamente assumido, com verdade e transparência. Portugal precisa de um presidente credível, que não seja ponto de partida e/ou porto de abrigo de manobras de bastidores, e à prova de interesses ocultos e difusos. 

FAMALICÃO E O ESTADO VINGATIVO

EM DEFESA DA FAMÍLIA MESQUITA GUIMARÃES, MÁRTIR DO ESTADO-EDUCADOR (1)

«Direito à "igualdade de oportunidades" é direito às várias oportunidades, no plural; não é direito apenas à única oportunidade programada pelo Estado. Isso é típico da concepção de Estado totalitário».

HIPERMERCADOS E CERVEJA NA LISTA NEGRA

A Autoridade da Concorrência aplicou uma coima de 92 milhões de euros ao Auchan, Continente, Intermarché, Pingo Doce e à Super Bock por concertarem preços numa «conspiração equivalente a um cartel».

P. S. Cidadania é evitar fazer compras nestas superfícies comerciais e deixar de beber esta marca de cerveja, mesmo que um qualquer tribunal venha a reduzir novamente mais uma multa aplicada pela AdC.

AMBIENTE A 200 DENTRO E FORA DAS ESTRADAS

GOVERNO A GOVERNAR REGULADOR

A saga de António Costa contra a regulação independente continua: «Governo tira competência da Anacom que era contestada pelos CTT».

ESQUERDA DE ESTADO

Ver Francisco Louçã e Domingos Abrantes a participar numa formalidade, como aquela que ocorreu com o Conselho de Estado, chamados a aconselhar o presidente sobre uma decisão já tomada e anunciada, é um espectáculo triste para o Bloco de Esquerda e PCP. 

quarta-feira, novembro 03, 2021

"GERINGONÇA OU MUERTE"

Pedro Nuno Santos anda numa velocidade furiosa. Nas estradas e nos corredores da política. Mas a realidade não perdoa: Uma coisa é a teoria, outra coisa é o estado do país. Às vezes, a pressa é tanta que cega.

ANTECIPAÇÃO À MARCELO

Cercado por críticas de todos os quadrantes políticos – e  ainda só agora começaram! –, o presidente já começou a tentar dourar a pílula relativamente ao seu maior erro político de sempre, o qual, aliás, pode custar caro aos portugueses. E agora ensaia a rábula da "antecipação", quando na verdade se tratou de precipitação e ameaça sobre o Parlamento e os partidos políticos.

SNS TEMIDO E COSTA

CONSELHEIROS PARA PRESIDENTE VER

O Conselho de Estado reúne, hoje, depois da dissolução anunciada precipitadamente pelo presidente desde 21 de Outubro, interferindo na negociação do Orçamento do Estado 2022. 

P. S. O fato de palhaço serve sempre a quem o veste... Ou será que há indisposições de última hora? Christine Lagarde à cautela.

O DIABO CHEGOU?

O responsável pela crise, à beira de a formalizar, surge como um factor de desestabilização, desta vez impossível de branquear. Em vez de recuperação e serenidade, o país entrou em "estado de alvoroço", mais uma informalidade desnecessária cuja culpa não pode morrer solteira.

terça-feira, novembro 02, 2021

PRESIDENTE TEM DE PRESTAR CONTAS

O folclore de Marcelo Rebelo de Sousa tinha de dar mau resultado. E a larguíssima maioria que condena a precipitada ameaça presidencial de dissolução não deixa quaisquer dúvidas. Desta vez, o branqueamento institucional não passou. Já nem a imprensa do regime dá a (habitual) cobertura ao presidente, tal é a indignação geral na rua.

O INVERNO DO NOSSO DESCONTENTAMENTO

MUSK SEM TRETAS

Há governantes, ONG' e políticos que ainda não perceberam que há slogans que já não colam. É o caso de Elon Musk que desafiou a ONU a «demonstrar exactamente» como é que seis mil milhões de dólares acabariam com a fome no mundo. É que o multimilionário está disposto a dar essa bagatela (2% da sua fortuna) no caso do dinheiro ir para os bolsos certos. 

A ANTIGERINGONÇA DE ANTÓNIO COSTA


segunda-feira, novembro 01, 2021

RIO DE ADIAMENTOS

Mais uma vez, Rui Rio pede o adiamento das directas. Depois da derrota há 15 dias, o braço-de-ferro com Paulo Rangel é decidido no Conselho Nacional do PSD, a 6 de Novembro, já com conhecimento da data das eleições antecipadas.

P. S. Francisco Rodrigues dos Santos já arrumou o assunto, tendo conseguido o adiamento do congresso, à custa do erro de avaliação dos restantes "barões" do CDS/PP.

FOI O PS QUE ROEU A CORDA (1)

O QUE ESCONDE MARCELO?

COP26 E OS SLOGANS

A exigência de medidas urgentes de preservação ambiental à escala global não são compatíveis com a governação de políticos dominados pelo marketing e concentrados em slogans que já não convencem ninguém. 

IPSE DIXIT. BOA SEMANA!


O chumbo do Orçamento do Estado
é o fim de uma solução política 
que nunca serviu os interesses do país.
Joaquim Sarmento


Chega é o grande aliado do PS.
Paulo Rangel

Tudo isto me parece precipitado. 
Há aqui qualquer coisa que parece que nos escapa. 
Pedro Santana Lopes

domingo, outubro 31, 2021

MILGALHAS DA BAZUCA MOVEM

O súbito interesse pela liderança e pela observância das regras democráticas no CDS/PP são comoventes. Rasgam-se as vestes e até cartões partidários. E as declarações de Filipe Anacoreta Correia não foram suficientes. Entretanto, Paulo Portas já entrou na liça.

"INTERESSE NACIONAL" COM FARTURA

Dos órgãos de soberania aos partidos, sem esquecer a imprensa, nunca se ouviu falar tanto no "interesse nacional". Chega a ser hilariante. Mas ainda falta o ponto alto, a existir ainda algum escrutínio: a prestação de contas do presidente pela decisão de avançar com a dissolução da Assembleia da República – cuja responsabilidade política se verá mais adiante – e pela data escolhida para as eleições antecipadas. 

P. S. Já faltou mais para alguns jornalistas cantarem o hino nacional com a mão no bolso, perdão, no peito.

QUANDO SERÁ PORTUGAL ULTRAPASSADO PELA ROMÉNIA