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Rui Costa Pinto - Jornalista/Editor/Publisher

terça-feira, agosto 24, 2010

A política mais divertida do mundo

Defensor Moura, um dos candidatos já anunciados, em entrevista ao JN, defende que Aníbal Cavaco Silva deveria chamar os partidos para promover um entendimento que permitisse a viabilização do Orçamento de Estado para 2011. Em caso de insucesso, então deveria dissolver a Assembleia da República. Até aqui tudo bem.
A bizarria divertida da política portuguesa é que o mainstream tem outra perspectiva e insiste, insiste, insiste em clamar por um acordo entre PS e PSD, ignorando outras soluções alternativas.
Por que será que até os socialistas insistem tanto em ignorar as soluções naturais de um entendimento à esquerda (PCP, Bloco e PEV) ou até de um entendimento à direita (CDS/PP), obviamente em nome do interesse nacional?
A resposta é simples: aparentemente, ninguém quer uma solução. O primeiro-ministro acha que a única hipótese de manter o poder é ir já a eleições. E a oposição continua a vislumbrar uma nesga de oportunidade para apiar José Sócrates do poder.

P.S. Muitos têm sido os que revelam preocupação com o futuro do actual primeiro-ministro depois de sair do governo. EUREKA! Tony Blair decidiu fazer o seu próprio banco de investimento, obviamente destinado ao mega capital, sim ao dinheiro dos multimilionários que circula pela aldeia global, quiçá por certas offshores. Para quem tinha dúvidas sobre a 3ª via, eis um exemplo da 4ª via desta espécie de esquerda.

domingo, agosto 22, 2010

Sócrates igual a si próprio

O primeiro discurso de José Sócrates após as férias revelou o que a generalidade dos cidadãos mais temiam: a radicalização do discurso, a falta de sentido de Estado e o vazio da governação.
P.S. O homem e o líder não mudaram: O auto-elogio, a irresponsabilidade, a arrogância, a mistificação e a táctica continuam intocáveis.

sábado, agosto 21, 2010

Fernando Nobre: seis meses de consolidação

Em entrevista ao Público, o discurso sereno e clarividente do candidato à presidência da República prova que existe uma alternativa, cada vez mais consolidada, com uma visão cosmopolita da cena mundial. Seis meses depois de anunciar a candidatura, Fernando Nobre mantém fidelidade a princípios de transparência, de prestação de contas e de liberdade para falar sobre os problemas do país, designadamente sobre o caos na Justiça, assumindo uma atitude de mudança, incompatível com silêncios tacitistas e meias palavras redondas e cinzentas.

Dividir o sapo monumental

Das duas uma: ou a descoordenação tomou conta do gabinete especial do primeiro-ministro ou então é coisa de Verão. A divulgação do Boletim de Execução de Orçamental estragou a festa de Mangualde. José Sócrates vai ter discursar, hoje, com mais uma espada em cima da cabeça: em tempo de sacrifícios extraordinários, a despesa pública continua a aumentar mais do que a receita.
As duas condições exigidas por Pedro Passos Coelho para aprovar o próximo Orçamento — reduzir a despesa pública e não aumentar os impostos — são cada vez mais «entendíveis e atendíveis». Aliás, está cada vez mais claro quem é politcamente irresponsável e está a empurrar o país para eleições antecipadas na vã esperança de voltar a conseguir enganar escandalosamente o povo.
P. S. Com a crescente radicalização do discurso político, quem ajudar José Sócrates a viabilizar o Orçamento de Estado para 2011 vai ter de deglutir um sapo do tamanho do défice português. A não ser que seja divido, em partes iguais, por dois partidos, à esquerda está claro.

sexta-feira, agosto 20, 2010

Último suspiro

O discurso de José Sócrates, em Mangualde, está a gerar grande expectativa. Aparentemente, o primeiro-ministro prepara mais uma intervenção pública para desviar as atenções, elevando a crispação que está instalada entre o governo e a oposição. É uma espécie de último suspiro do líder que continua a viver fora da realidade e muito longe do povo (povo diferente daquele que chega aos comícios de autocarro). Mas é também uma oportunidade para ficar a saber se o governo pretende mesmo governar e quem é politicamente irresponsável.

O futebol e a selecção

A novela Carlos Queiroz começa a tresandar. Por mais absurdo que possa parecer, não seria mais barato e mais eficiente ter um dos muitos empresários desportivos que reinam no mundo da bola à frente da selecção portuguesa? Ou até arranjar uma forma de colocar Costinha como presidente da Federação Portuguesa de Futebol?

quinta-feira, agosto 19, 2010

Educação ou afrontamento?

O progressivo regresso de governantes e responsáveis partidários à actividade política está a ser marcado pelo ressurgimento da polémica decisão de encerramento de 701 escolas. A notícia já é tão passada que apenas conseguiu, momentaneamente, desviar as atenções em relação a outros assuntos muito mais prementes: os incêndios, a estagnação económica, a crise na Justiça (com o PGR e respectivo vice agarrados às respectivas cadeiras com todas as forças), o descontrolo na despesa pública, designadamente na Saúde, a negociação de bastidores para a aprovação do orçamento de Estado para 2011, etc.
Apesar do período a banhos, que todos esperavam ter sido suficientemente inspirador, o sinal está dado para comprovar que tudo indica que vamos continuar a ter uma governação marcada pela política de afrontamento.
Se já é unanimemente reconhecido que as eleições antecipadas são inevitáveis, só falta assumir que chega de perder tempo com quem insiste em governar sem qualquer sentido de responsabilidade. Aparentemente, o PSD já o percebeu. Resta saber se os outros partidos da oposição também já o compreenderam.
O presidente da República passou a ter motivos para olhar para a dissolução do Parlamento, cuja janela de oportunidade mais próxima encerra a 9 de Setembro, com outros olhos.

segunda-feira, agosto 16, 2010

Sapo monumental à vista

O efeito de uma oposição responsável, leal e frontal, consubstanciada por Pedro Passos Coelho no discurso do Pontal, ainda está a surtir ondas de choque. Ao mesmo tempo que o choradinho faz o caminho da calçada, os socialistas já devem ter retomado, em ritmo acelerado, as negociações à direita e à esquerda para garantir a viabilização do orçamento para 2011. Quem será que vai engolir o sapo monumental, obviamente em nome do interesse nacional?

Recordar 2003 e 2005

Enquanto os fogos continuam a consumir o país e os portugueses, começa a ser tempo de fazer algumas comparações e recuperar algumas declarações dos socialistas nos anos 2003 e 2005. Ou será que ainda é cedo?

domingo, agosto 15, 2010

Pedro Passos Coelho clarifica

Ao estabelecer as balizas da acção política, Pedro Passos Coelho passou com distinção no exame do Pontal, dando um contributo para clarificar a situação política. Sem cartas debaixo da mesa. Compete ao governo governar, mas o PSD só viabiliza o Orçamento de Estado para 2011 em determinadas condições «entendíveis e atendíveis», ou seja não há espaço para mais aumento de impostos. Sem meias tintas, o líder do PSD deu ainda um sinal inequívoco que está preparado para ir a eleições, colocando a responsabilidade de um eventual bloqueio institucional nas mãos certas: o presidente da República.

P.S. Com palavras simples e certeiras, ficou mais claro o Estado Social a que chegámos com a governação de José Sócrates. E também ficou ainda mais claro que Fernando Pinto Monteiro não tem condições para continuar a liderar o Ministério Público.

sábado, agosto 14, 2010

Pontal 2010: o ponto de partida

A festa do Pontal pode ser o ponto de partida para Pedro Passos Coelho começar a romper com a barreira mediática governamental que continua a impedir o país de ter acesso à verdade. É imperioso denunciar, as vezes que forem precisas, que o regime vai nu. E que é tempo de arrepiar caminho com um primeiro-ministro que enche a boca com o Estado Social e que é o campeão do endividamento e do maior ataque aos direitos adquiridos desde o 25 de Abril.
Pedro Passos Coelho tem de mostrar a diferença: afirmar respeito pelas liberdades individuais, promover a igualdade de oportunidades, garantir a protecção dos mais pobres, fundamentar o papel regulador do Estado e apresentar soluções de ruptura para ultrapassar o caos instalado na Justiça. Em suma, basta falar verdade.

sexta-feira, agosto 13, 2010

País em chamas e Justiça em lume brando

Enquanto os portugueses afectados pelos incêndios denunciam a descoordenação e clamam por mais meios, o presidente da República foi à sede da Protecção Civil garantir que tudo está a correr às mil maravilhas. Não tarda nada, começa a conversa do costume, responsabilizando os meios de comunicação social por passar as imagens do país a arder e do povo em sofrimento.

P.S. Aníbal Cavaco Silva ainda teve oportunidade para fazer ironia com coisas sérias, sugerindo a leitura dos seus poderes constitucionais, num claro recado crítico a todos aqueles que têm pedido a intervenção presidencial a propósito da gravíssima crise do que resta da Justiça.
Há fogos e fogos. Uns alimentam-se com visitas de circunstância; outros são ignorados porque podem provocar queimaduras eleitorais.

P. P.S. O primeiro-ministro já não é o mesmo. Basta atentar ao facto de ter ido a reboque da visita presidencial. Embora visivelmente contrariado, e como teria muitas dificuldades em falar do combate a outros fogos, como os que decorrem na Justiça, José Sócrates optou por manifestar satisfação pela estagnação da economia portuguesa. Mais valia ter ficado a descansar.

quinta-feira, agosto 12, 2010

Incêndios e deslocação à Protecção Civil

Aníbal Cavaco Silva e José Sócrates vão sair dos seus palácios de verão, após mais de 30 mil hectares de terra free-fire, para uma visita simbólica à Protecção Civil. Os discursos de circunstância vão ser, certamente, pungentes, com mais ou menos apelo à responsabilidade dos cidadãos, excluindo obviamente os malucos e alcoólicos pirómanos tradicionalmente presos nesta éposa de incêndios.
P.S. Amanhã, vai ser um dia difícil para os seguranças do presidente e do PM evitarem os jornalistas.

Justiça: apelos, silêncios e manobras de diversão

João Cravinho e Ana Gomes continuam a ser duas personalidades que garantem o mínimo de credibilidade ao PS. Em declarações à Rádio Renascença, ambos fizeram um apelo à intervenção de Aníbal Cavaco Silva no que resta da Justiça.
Enquanto o presidente continua escondido e calado à espera que a tempestade passe, tal como o PM (compreende-se), o comunicado conjunto de Cândida Almeida e dos dois procuradores que lideraram a investigação do caso Freeport ainda avivou mais as dúvidas instaladas.
Continua a ser necessário esclarecer, oficialmente, por que razão as perguntas a fazer a José Sócrates e afins estiveram sujeitas a uma negociação completamente esdrúxula. Na ausência de esclarecimento cabal, apenas é possível reforçar a convicção que os inquéritos mais mediáticos têm sempre linhas de investigação muito peculiares. Há uns que são liquidados e ninguém parece importar-se, mas outros há que dão muito nas vistas e não prestigiam ninguém.

quarta-feira, agosto 11, 2010

Inimigo sem rosto: um filme marcante

A interpretação de Albano Jerónimo (inspector Vasco) e de José Wallenstein (Feiticeiro) dão vida ao filme baseado no livro de Maria José Morgado e José Vegar. A adaptação poderia ser mais ambiciosa, mas a mensagem da dificuldade do combate à corrupção é rigorosa e fiel ao livro. Com os meios de uma pequena produção, dificilmente seria possível fazer mais e melhor. José Farinha ganhou a aposta.

O primeiro dever de um jornalista

O fascismo "rosa-choque"

terça-feira, agosto 10, 2010

Freeport: A coisa vai passando

Face aos novos desenvolvimentos do processo Freeport, que têm vindo a público, José Sócrates remeteu-se a um tumular e prudente silêncio. Tal e qual como Fernando Pinto Monteiro e Cândida Almeida. Curiosa coincidência.

O Presidente que abriu as comissões militares com uma criança

Barack Obama tem um lugar assegurado na História pelo vergonhoso incumprimento de uma das mais importantes promessas eleitorais: o encerramento de Guantánamo e o fim das comissões militares que vão julgar os alegados terroristas raptados pelas forças norte-americanas com a participação, por acção e/ou omissão, de vários países europeus. Vai começar a espécie de julgamento de Omar Khadr, sequestrado com 15 anos, e bem conhecido dos portugueses.

domingo, agosto 08, 2010

Silêncio de Cavaco Silva incomoda

No auge da maior crise na Justiça desde o 25 de Abril, Alberto Martins, ministro da Justiça, foi obrigado a vir a público afirmar a «confiança institucional» no procurador-geral da República. Três dias depois, o presidente da República continua em silêncio. Será que Aníbal Cavaco Silva tem uma opinião diferente, mas não a pode revelar por ter comprado a ideia que Fernando Pinto Monteiro era o farol para o Ministério Público?

A mão-de-obra barata dos concursos

Um concurso disparatado acabou mal na Finlândia. Sim, foi na Finlândia e não em Portugal que o campeonato de sauna atirou um russo para a a morgue e outro finlandês para o hospital em coma. Porventura, até não faltará uma referência de tal feito num qualquer livro de recordes mundiais, por mais imbecil que seja o feito, e publicidade garantida na comunicação social. Afinal, a mão-de-obra barata que vira campeão ou cadáver é sempre notícia. The show must go on!

sábado, agosto 07, 2010

José António Saraiva e o erro

O tempo é sempre o melhor instrumento para aferir a verdade jornalística. E só os jornalistas credíveis são capazes de reconhecer e assumir publicamente o erro. Vale a pena ler José António Saraiva. O Sol fica a brilhar mais.

quinta-feira, agosto 05, 2010

Freeport: regressar a 2001

À margem da tentativa de confundir a investigação do caso Freeport com a crise da Justiça, continuam a surgir novos detalhes, com cerca de nove anos, que permitem compreender o que se passou. José António Cerejo, no Público, assina um artigo da maior relevância — «Freeport: Um dos grandes enigmas por resolver é a troca dos arquitectos».

P.S. De sublinhar que o jornalista refere — e muito bem — que a «investigação foi encerrada por decisão hierárquica antes de ser concluída».

quarta-feira, agosto 04, 2010

Magistrados sem PGR

A carta aberta do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público é a mais demolidora prova que Fernando Pinto Monteiro já não tem condições para continuar na liderança da Procuradoria-Geral da República.
P.S. Finalmente, os magistrados levantaram uma parte do véu sobre as trapalhadas que ocorreram no Montijo, as quais, certamente, serão apreciadas em sede do inquérito aberto pelo PGR.

Freeport: borrasca à vista

As últimas declarações de Pedro Silva Pereira são um contributo para trazer mais luz às anomalias registadas nos últimos nove anos de investigação do Freeport. E até pode ficar mais cristalino por que motivo o ministro da Presidência não foi ouvido antes das eleições de Setembro de 2009, conforme anteciparam diversos órgãos de comunicação social, designadamente a Rádio Renascença. A avaliar pelo padrão de reacção preventiva, é caso para dizer que vem aí borrasca a curto prazo.
P.S. E a sindicância, o que é feito da sindicância prometida desde Fevereiro de 2009?

terça-feira, agosto 03, 2010

E assim vai o Supremo

P.S. É nestes casos que os nomes dos juízes deveriam ser do conhecimento público.

Inimigo sem rosto no cinema

O filme de José Farinha estreia no Cinema City Alvalade no próximo dia 5 (quinta-feira). Uma obra a não perder já que tem um elenco de primeira linha — José Wallenstein, São José Correia e Paulo Nery — e um guião com base no livro de Maria José Morgado e José Vegar.

RTP brinda contribuintes

«Pai da criança (quem será?!?)», in Civilização do Espectáculo