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Rui Costa Pinto - Jornalista/Editor/Publisher

sexta-feira, março 04, 2011

Alternância: os barões incomodados

Rui Rio e Jorge Sampaio vieram a público fazer o que Pacheco Pereira já tinha feito com muito mais mestria: lançar um aviso para dentro do PSD, alertando para o facto de Pedro Passos Coelho estar cada vez mais perto de chegar ao poder.
O presidente da Câmara do Porto, eterno candidato à liderança do PSD (que vai liquidando politicamente aqueles que não tiveram medo de avançar), engoliu as críticas ao governo para alertar que a resolução da crise não passa pela alternância; o ex-presidente da República (o único que conseguiu demitir um governo sustentado por uma maioria parlamentar) defendeu a estabilidade de mais um qualquer pacto de regime, quiçá a formação de mais uma versão do Bloco Central.
Se é surpreendente o incómodo que a possível alternância política está a provocar, ainda mais surpreendente é a concepção política destes barões do regime que, agora, tentam descredibilizar e lançar o medo sobre as eleições democráticas.

Uma Anschluss à moda portuguesa

quinta-feira, março 03, 2011

Mais austeridade a caminho

O sinal está dado pelo mercado: a taxa de juros do dinheiro que o país tem de pedir emprestado baixou ligeiramente.
A questão que agora se tem de colocar é a seguinte: quais foram as novas medidas de austeridade que o primeiro-ministro prometeu a Angela Merkel?
Como o povo nunca sufragou estas medidas, a legitimidade política do governo para as levar por diante é mais do que questionável. Fazer de conta que a questão não se coloca, mais não é do que agravar o actual estado de pântano..

quarta-feira, março 02, 2011

E depois de Berlim: a subserviência

O encontro entre a chanceler alemã e o primeiro-ministro português ficou pelas meras palavras de circunstância. Certamente, nos próximos dias, e através da evolução das taxas de juro do dinheiro que Portugal pede emprestado, ficaremos a saber se houve alguma mudança. Para já, o essencial do encontro ficou reduzido à pergunta de Luís Ferreira Lopes, editor de Economia da SIC: a deslocação a Berlim não é um gesto de subserviência em relação á Alemanha? Sócrates respondeu: Não. E lá continuou com os estafados oito séculos de história.

Matar a regionalização

Lá vai ele, a caminho de Berlim

O primeiro-ministro já deve estar a coligir as últimas continhas do país para mostrar à chanceler alemã, Angela Merkel. Ninguém sabe se a apresentação vai ser com teleponto ou Moleskine, com os números muito alinhadinhos. A única certeza, e bem triste, é a sensação de que o diktat alemão está sobre as nossas cabeças, por culpa da (des)governação, como sintetiza Rodrigo Moita de Deus.
P.S. Vai valer a pena assistir à performamnce à saída do gabinete de Merkel.

terça-feira, março 01, 2011

Pacheco Pereira: a declaração que faltava a Passos Coelho

O governo deve estar por um fio, a atender à entrevista de Pacheco Pereira: «As democracias têm procedimentos e não devemos interromper, traumaticamente, esses procedimentos».
O alerta está dado para dentro do PSD: Pedro Passos Coelho deve estar mais próximo do que muitos julgam de chegar ao poder.

Merkel versus Sócrates: à beira do pesadelo

O encontro entre a chanceler alemã e o primeiro-ministro português tem algo de dramático. Só falta que, à entrada ou à saída do encontro, que se realiza quarta-feira, em Berlim, às 16horas, José Sócrates se lembre de declarar aos jornalistas: sair do governo... porquê? O povo ama-me.

Desemprego: novo recorde

11,2 por cento entre Setembro e Janeiro. Não é propaganda. É obra, é obra de José Sócrates, do governo e da maioria socialista.

Rui Pedro: um caso para reflectir

13 anos para proferir uma acusação, é muito tempo. Não há propaganda que valha. A Justiça tem de merecer maior atenção da parte do governo e do legislador. E tem de haver vontade política para encontrar soluções, em sintonia com magistrados e polícias.

Khadaffy ri-se e continua a massacrar

segunda-feira, fevereiro 28, 2011

A diplomacia francesa: o Grupo Marly

J.M. Correia Pinto, in Politeia

Cavaco Silva: faltam nove dias

A cada dia que passa, cresce a expectativa em relação ao discurso de tomada de posse do presidente da República reeleito.

Austeridade: "Se não têm pão, que comam brioches"

De uma penada, e ainda antes da prova de fogo na Alemanha, o primeiro-ministro e o ministro das Finanças anunciaram a possibilidade de mais medidas de austeridade. A forma politicamente despudorada como se atreveram a avançar tal hipótese, como se fosse algo normal, justifica que alguns já tenham avançado que o governo luta por uma sobrevivência impossível, esquecendo que estão a liquidar o que resta da qualidade de vida dos portugueses.

domingo, fevereiro 27, 2011

Loureiro dos Santos: no melhor pano...

O general Loureiro dos Santos saiu em defesa das Forças Armadas, após ter sido divulgado um telegrama do ex-embaixador norte-americano, dando conta da surrealista política portuguesa de Defesa e de aquisição de equipamentos militares.
Foi uma atitude formal, mas incompatível com a credibilidade de um militar que tem tido uma intervenção pública séria e respeitada.
Afinal, é possível, com seriedade e sem recurso ao insulto, contrariar os argumentos do ex-embaixador norte-americano?
É possível negar que temos mais generais — os tais sentados — do que os nossos parceiros europeus?
É possível disfarçar que algumas aquisições aparecem aos olhos dos cidadãos mais como negociatas do que opções válidas de uma política de Defesa?
Em vez de tentar esconder o sol com a peneira, não terá também chegado a hora de uma verdadeira reestruturação das Forças Armadas?

Kadhafii exilado em Portugal?

À medida que o ditador líbio fica mais isolado, o governo português mostra cada vez mais nervosismo e embaraço, o que explica a escandalosa ausência de uma única declaração oficial de clara condenação. Só faltava mesmo ter o atrevimento de oferecer ao facínora, que já se passeou por Lisboa, com direito a tenda ao lado da residência oficial do ministro da Defesa, o exílio num qualquer condomínio fechado (a sete chaves) no Algarve.

Escutas e mais escutas

A entrevista do PGR à TSF ainda continua a marcar a agenda política. A relação de Fernando Pinto Monteiro com as escutas, as legais e as ilegais, continua a ser difícil, muito difícil de compreender. Mas tudo ficou mais claro com a declaração oficial do primeiro-ministro que, a propósito das polémicas declarações do líder do MP, defendeu que os serviços de informações deviam poder fazer escutas legais...
A resposta do PSD, através de Miguel Macedo, era a única possível e aceitável.

Justiça e ambulância

A notícia sobre a ordem de retirada de uma ambulância para a viatura do ministro da justiça passar vale o que vale. Mas diz tudo da da forma com esta maioria (ainda) exerce o poder.

sábado, fevereiro 26, 2011

Expresso/Wikileaks: um serviço público

O semanário vai divulgar 722 telegramas (2500 páginas) de documentos oficiais que o WikiLeaks teve sobre Portugal. Finalmente, há um órgão de comunicação social português que decide assumir o assunto, evitando a vergonha de ficar de fora num dos momentos mais importantes da história do jornalismo.

P.S. O editorial de Ricardo Costa, director do Expresso, assume uma espécie de censura prévia do governo português por causa de eventuais questões de segurança nacional. É um caminho perigoso, mas para já merece o benefício da dúvida.

quinta-feira, fevereiro 24, 2011

RTP: Uma nova era

A RTP nunca mais vai ser igual, depois da debandada de quadros para a TVI.
Os tempos da megalomania despesista acabaram. Aliás, o governo não hesitará em mudar de posição em relação ao serviço público, a partir do momento em que este deixe de ser tão decisivo como foi nos últimos cinco anos.

quarta-feira, fevereiro 23, 2011

São os negócios...

Deve ser isto o “socialismo democrático” do PS.

Líbia: A vergonha sobre o governo

À medida que os confrontos e os massacres se sucedem na Líbia, com um líder facínora a mostrar a sua verdadeira face (a do atentado de Lockerbie), os governantes portugueses vergam-se a um silêncio vergonhoso. O primeiro-ministro recusa comentar o que o mundo comenta, adoptando uma atitude de arrogância política, quando chegou a hora de pedir desculpa aos portugueses por ter embarcado num branqueamento escandaloso da ditadura líbia a troca de uns trocados, e sabe Deus o que mais.
É preciso recordar que há quem tenha estado contra esta política do vale tudo, até na diplomacia (o que também não é novidade), e que não teve medo, mais uma vez, de remar contra a maré, como Ana Gomes (ver também "Portugal no Conselho de Segurança. E a Líbia").

terça-feira, fevereiro 22, 2011

Plano inclinado: suspenso ou em suspensão?

É uma pena acabar com um programa com uma opinião séria, credível e livre.
A SIC Notícias e o respectivo director do canal, António José Teixeira, ficam a perder.

Execução orçamental: Afinal, era mais um truque

Todos os analistas, da esquerda à direita, ficaram estupefactos quando conheceram, em detalhe, os números da execução orçamental de Janeiro. A euforia (falsa) de José Sócrates está explicada. Aliás, conforme era previsível, sobretudo para todos aqueles que conhecem os últimos anos de governação (ou querem conhecer), a infantilidade e a irresponsabilidade são tais que já nem espantam. Mas continuam a indignar.
Os portugueses não se podem queixar dos sacrifícios que estão a fazer. Só acredita neste primeiro-ministro quem quer ou tem mesmo de acreditar.

P.S. O semanário Expresso sai mal na fotografia. Vai valer a pena esperar pela próxima edição.

segunda-feira, fevereiro 21, 2011

Amigos de Kadhafi calados que nem ratos

O Ministério dos Negócios Estrangeiros tem estado estranhamente silencioso. Enquanto os massacres se sucedem na Líbia, com o assassinato de centenas de civis que lutam pela liberdade, os governantes portugueses, ao contrário de outros europeus, estão calados que nem ratos. Obviamente, já ninguém espera um gesto de decência, uma palavra inequívoca de condenação. Mas nem mesmo um singelo apelo à moderação do amigo (deles) Muammar Kadafi? Será que não emprestou e/ou pagou o suficiente?