Numa atitude de provocação aos mercados, que nos emprestam dinheiro para pagar as contas e os desvarios dos governantes, a tirada de S. Ex.ª revela de algum modo a irresponsabilidade política de quem nos tem governado. O primeiro-ministro não tem emenda: por um lado, anda de mão estendida pelo mundo a pedir uns trocos; por outro, exibe a arrogância dos fracos.
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Rui Costa Pinto - Jornalista/Editor/Publisher
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terça-feira, novembro 23, 2010
segunda-feira, novembro 22, 2010
A caridade das carpideiras
Já não há pachorra para as carpideiras da moral, nem para esta corte do costume a gritar por mais caridade. A antecipação dos divendos das empresas cotadas nem é ilegal, nem moralmente legal. É legal porque está de acordo com a lei. É óbvio que é bem mais fácil bater no abstracto que responsabilizar o governo por ter criado uma janela de oportunidade para que as empresas antecipassem os dividendos.
Remodelação de conta
As vozes patrióticas que estão a apelar a uma remodelação sabem perfeitamente que só um kamikaze político, quiçá alguém que deva um enorme favor a José Sócrates, seria capaz de assumir uma qualquer pasta governamental neste momento crítico da governação. A subida de juros depois de ter sido confirmado o pedido de socorro da Irlanda é a prova que este governo, ou um qualquer governo remodelado, está condenado a um mais do que previsível fracasso. A razão é simples: o governo de José Sócrates não tem legitimidade eleitoral para efectuar uma política de rigor porque prometeu exactamente o contrário em 2009.
domingo, novembro 21, 2010
Alegre frete a Sócrates
O candidato presidencial Manuel Alegre atirou-se ao outro candidato Cavaco Silva em mais um desesperado ataque para ver se alguém ainda se lembra que ele está na corrida presidencial. Desta vez, atribuiu ao rival a responsabilidade do "monstro". Eis mais uma tentativa de branquear a responsabilidade dos socialistas no poder, uma espécie de derradeiro frete a Sócrates para acordar a máquina de propaganda do PS. Sera que Manuel Alegre ainda não percebeu que a única hipótese que tem é o distanciamento do seu próprio partido e dos actuais governantes?
sábado, novembro 20, 2010
Festarolas
«Mas parece - dizem os peritos - que o mundo pasma com a nossa 'capacidade' de organização, ainda por cima de um 'evento' que 'mudará o futuro próximo da humanidade'. Para dona-de-casa não estamos mal».
Vasco Pulido Valente, in Público
P.S. A cobertura da Cimeira da NATO revelou dois comentadores de excelência: João Carlos Barradas, na TSF, e Miguel Monjardino, na SIC Notícias. O resto oscilou entre o alinhamento obsceno pelas teses governamentais, o folclore rasca e a tradicional parolice de quem não consegue distinguir a fronteira entre patriotismo e sabujice.
Vasco Pulido Valente, in Público
P.S. A cobertura da Cimeira da NATO revelou dois comentadores de excelência: João Carlos Barradas, na TSF, e Miguel Monjardino, na SIC Notícias. O resto oscilou entre o alinhamento obsceno pelas teses governamentais, o folclore rasca e a tradicional parolice de quem não consegue distinguir a fronteira entre patriotismo e sabujice.
Cimeira da Nato e dos senhores da guerra
Haverá justificações para a perpetuação da "Aliança Atlântica" mais bizarras do que a marcação do fim de uma guerra a quatro anos (Afeganistão) e a formalidade de um entendimento com o antigo inimigo comunista (Rússia)? Face ao esvaziamento progressivo da "Guerra Fria", realidade que esteve na origem da sua fundação, em 1949, a Organização do Tratado do Atlântico Norte, a braços com uma guerra perdida e interminável, luta por uma renovação que aparece aos olhos dos cidadãos europeus como cada vez mais incompreensível, mas infelizmente demasiado ocupados com a crise para poder reagir. O "Conceito de Lisboa" da Aliança Atlântica só podia ser qualquer coisa manhosa, que garante um comando militar cada vez mais vazio, em Oeiras, ou não fora aprovada em Portugal. Não seria mais transparente explicar que há uma indústria de armamento militar global que necessita de expandir mercados e de um novo fôlego para o século XXI?
Cimeira NATO: bálsamo dos grandes
O primeiro-ministro voltou a sorrir. Entre os grandes, não há crise que esmoreça José Sócrates.
quinta-feira, novembro 18, 2010
Arrumar a casa antes do congresso
A nível dos militantes socialistas já ninguém acredita que José Sócrates continue no poder com uma taxa de desemprego a ultrapassar os 11%.
O clima de desagregação não tem de ser uma inevitabilidade. Pode ser um ponto de partida para virar a página com seriedade e responsabilidade.
Atentado contra o regime
O Governo deixou sem resposta mais de 25% das perguntas feitas pelos deputados na anterior sessão legislativa, e respondeu fora do prazo a 47,3%, de acordo com o Público. Seguramente, tal não é devido à falta de assessores e adjuntos., mas sim a uma atitude de desrespeito absoluto pela Assembleia da República, o orgão de soberania que tem a competência de fiscalizar a governação. Haverá melhor indicador para caracterizar a forma de governar e a qualidade da Democracia?
Goleada para a auto-estima
A vitória nunca vista de Portugal sobre a Espanha fez bem aos portugueses. Por momentos, voltaram a sorrir. Hoje, é outro dia.
quarta-feira, novembro 17, 2010
Ricardo Salgado: a voz constante
O banqueiro mais poderoso de Portugal sempre assumiu uma intervenção pública discreta. Porém, desde o início da crise tem multiplicado declaraçãões, intervenções e reuniões com líderes políticos para mandar este ou aquele palpite ou aviso à navegação. Obviamente, o presidente do Banco Espírito Santo (BES) tem direito à liberdade de expressão como qualquer outro cidadão. Mas o que será que tem motivado o banqueiro a uma tão radical mudança de atitude que o tem levado a assumir uma permanente exposição pública?
terça-feira, novembro 16, 2010
NATO: Cimeira de luxo no país falido
O countdown para o início da cimeira da NATO já começou. E a despesa de milhões e milhões também, com direito a tolerância de ponto e tudo. E para quê? Para definir o que vai fazer uma aliança militar em tempo de paz, e depois da queda do muro de Berlim.
P. S. O roteiro das manifestações de protesto já é conhecido: dia 20 estão agendadas para as zonas do Marquês de Pombal, Assembleia da República, Rossio, Praça da Figueira, Terreiro do Paço e Campo Grande.
segunda-feira, novembro 15, 2010
À beira da salvação
Com o governo a desmoronar aos poucos, a cada dia que passa, a réstea de autoridade que ainda sobra ao ministro das Finanças serviu para mais um aviso à navegação: o risco de Portugal recorrer ao apoio financeiro da União Europeia é elevado.
P.S. É o princípio do fim de José Sócrates e a machadada final na candidatura de Aníbal Cavaco Silva ou é apenas mais um desabafo de estado de alma?
TGV vale mais do que acordo com PSD
O ministro das Obras Públicas afirmou que o TGV vai avançar em 2011, não obstante a palavra dada pelo governo no âmbito do acordo celebrado com o PSD.
A tentativa de criar mais uma crise para desviar as atenções da actual situação não surpreende. Resta saber por que razão o governo e o PS não podem adiar o arranque de mais uma obra pública faraónica. Será só o interesse nacional ou outras coisinhas bem mais comezinhas?
domingo, novembro 14, 2010
RTP e Lusa: fusão é negócio escandaloso
A tentativa de fusão da RTP e da Lusa é mais um negócio de Estado, tipo de última hora, que roça o escândalo num momento de crise para as finanças públicas. Se o projecto fosse para levar a sério, a RTP (ou seja, o contribuinte) teria de pagar aos privados que participam no capital da Lusa — grupos Joaquim Oliveira e Balsemão, entre outros — cerca de 7 a 8 milhões de euros para assegurar uma fusão que vai ao arrepio do espírito de abertura do capital da agência noticiosa. Aliás, que não haja quaisquer dúvidas: a prática tem revelado que quanto mais Estado e mais boys são metidos na comunicação social controlado pelo Estado, pior é a informação e o serviço público.
Salvação nacional
À medida que a crise vai desmentindo governantes, políticos, economistas e até comentadores, eis que começa a ser testada a "solução" de constituir um governo de salvação nacional. A ideia é compreensível à luz, sobretudo, daqueles com enormes responsabilidades na actual situação que querem alijar responsabilidades passadas. Mas a ideia é mais do que isso. Traduz uma determinada concepção democrática de uma determinada classe política que ainda não percebeu que os tempos mudaram. Os governantes são eleitos pelo povo, não são escolhidos por um qualquer conclave, seja ele secreto, discreto ou com aspirações ao olimpo.
sábado, novembro 13, 2010
A hora do verdadeiro PS
Entre os socialistas há quem defenda a substituição do primeiro-ministro. Entretanto, e em jeito de última oportunidade para José Sócrates, personalidades socialistas como Ana Gomes e João Proença já recomendaram abertamente uma remodelação governamental de forma a dar um novo alento ao governo. É caso para dizer que o verdadeiro PS está a começar a acordar da letargia em que tem estado profundamente mergulhado.
A estratégia dos fracos
José Sócrates do outro lado do mundo, de mala na mão para não dizer de mão esticada, está a tentar agarrar o poder a todo o custo. Após a entrevista do seu ministro Ama(cia)do, eis o primeiro-ministro a afirmar a necessidade de uma coligação para salvar o país, quiçá para garantir mais alguns tempinhos no poder. Obviamente, é tudo para inspirar confiança aos mercados. Haverá maior prova de desnorte e fraqueza?
sexta-feira, novembro 12, 2010
BPP e BPN: o mesmo combate
A perseguição de ladrões e vigaristas que roubaram descaradamente os portugueses, seja na banca ou noutro sector qualquer, é uma boa notícia para a Justiça portuguesa.
O regresso da inflação
Só faltava mesmo a notícia do aumento de 2% da inflação, ao mesmo tempo que a economia regista um crescimento medíocre. É mais um imposto escondido que vai penalizar ainda mais a bolsa dos portugueses
quinta-feira, novembro 11, 2010
Amigo Durão
...«se for preciso, Bruxelas vai ajudar a Irlanda e Portugal».
Está dado o mote, oficialmente, através de Durão Barroso, presidente da comissão europeia.
Só falta saber se a teimosia do primeiro-ministro vai afundar ainda mais o país. Afinal, onde está a coragem para as medidas difíceis?
P.S. Com os juros a bater nos 7,4%, Aníbal Cavaco Silva vai ter a tempestade que merece, mas que os portugueses não mereciam.
P.S. Com os juros a bater nos 7,4%, Aníbal Cavaco Silva vai ter a tempestade que merece, mas que os portugueses não mereciam.
Na trincheira
«A democracia deixou de funcionar com base na confiança cega e no cheque em branco. Ela funciona hoje com base na desconfiança e no escrutínio permanente. Os líderes políticos que pensam que, porque ganham eleições, representam toda a sociedade e têm um mandato que podem executar de qualquer modo vivem num mundo que já desapareceu há muito, e acabam, mais tarde ou mais cedo, por pagar duramente essa ilusão».
Manuela Maria carrilho, in Diário de Notícias
Manuela Maria carrilho, in Diário de Notícias
quarta-feira, novembro 10, 2010
Rafael Marques: um jornalista
Num país civilizado, o Ministério Público português abriria um inquérito, amanhã, para investigar a circulação de capitais angolanos por estas bandas.
P.S. Há alguma esperança que alguns dos principais banqueiros e grandes empresários portugueses tenham ouvido a entrevista do jornalista angolano. Quanto aos políticos e governantes...
Adenda 21h51: Pode ouvir a entrevista Aqui
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