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Rui Costa Pinto - Jornalista/Editor/Publisher

domingo, fevereiro 27, 2011

Escutas e mais escutas

A entrevista do PGR à TSF ainda continua a marcar a agenda política. A relação de Fernando Pinto Monteiro com as escutas, as legais e as ilegais, continua a ser difícil, muito difícil de compreender. Mas tudo ficou mais claro com a declaração oficial do primeiro-ministro que, a propósito das polémicas declarações do líder do MP, defendeu que os serviços de informações deviam poder fazer escutas legais...
A resposta do PSD, através de Miguel Macedo, era a única possível e aceitável.

Justiça e ambulância

A notícia sobre a ordem de retirada de uma ambulância para a viatura do ministro da justiça passar vale o que vale. Mas diz tudo da da forma com esta maioria (ainda) exerce o poder.

sábado, fevereiro 26, 2011

Expresso/Wikileaks: um serviço público

O semanário vai divulgar 722 telegramas (2500 páginas) de documentos oficiais que o WikiLeaks teve sobre Portugal. Finalmente, há um órgão de comunicação social português que decide assumir o assunto, evitando a vergonha de ficar de fora num dos momentos mais importantes da história do jornalismo.

P.S. O editorial de Ricardo Costa, director do Expresso, assume uma espécie de censura prévia do governo português por causa de eventuais questões de segurança nacional. É um caminho perigoso, mas para já merece o benefício da dúvida.

quinta-feira, fevereiro 24, 2011

RTP: Uma nova era

A RTP nunca mais vai ser igual, depois da debandada de quadros para a TVI.
Os tempos da megalomania despesista acabaram. Aliás, o governo não hesitará em mudar de posição em relação ao serviço público, a partir do momento em que este deixe de ser tão decisivo como foi nos últimos cinco anos.

quarta-feira, fevereiro 23, 2011

São os negócios...

Deve ser isto o “socialismo democrático” do PS.

Líbia: A vergonha sobre o governo

À medida que os confrontos e os massacres se sucedem na Líbia, com um líder facínora a mostrar a sua verdadeira face (a do atentado de Lockerbie), os governantes portugueses vergam-se a um silêncio vergonhoso. O primeiro-ministro recusa comentar o que o mundo comenta, adoptando uma atitude de arrogância política, quando chegou a hora de pedir desculpa aos portugueses por ter embarcado num branqueamento escandaloso da ditadura líbia a troca de uns trocados, e sabe Deus o que mais.
É preciso recordar que há quem tenha estado contra esta política do vale tudo, até na diplomacia (o que também não é novidade), e que não teve medo, mais uma vez, de remar contra a maré, como Ana Gomes (ver também "Portugal no Conselho de Segurança. E a Líbia").

terça-feira, fevereiro 22, 2011

Plano inclinado: suspenso ou em suspensão?

É uma pena acabar com um programa com uma opinião séria, credível e livre.
A SIC Notícias e o respectivo director do canal, António José Teixeira, ficam a perder.

Execução orçamental: Afinal, era mais um truque

Todos os analistas, da esquerda à direita, ficaram estupefactos quando conheceram, em detalhe, os números da execução orçamental de Janeiro. A euforia (falsa) de José Sócrates está explicada. Aliás, conforme era previsível, sobretudo para todos aqueles que conhecem os últimos anos de governação (ou querem conhecer), a infantilidade e a irresponsabilidade são tais que já nem espantam. Mas continuam a indignar.
Os portugueses não se podem queixar dos sacrifícios que estão a fazer. Só acredita neste primeiro-ministro quem quer ou tem mesmo de acreditar.

P.S. O semanário Expresso sai mal na fotografia. Vai valer a pena esperar pela próxima edição.

segunda-feira, fevereiro 21, 2011

Amigos de Kadhafi calados que nem ratos

O Ministério dos Negócios Estrangeiros tem estado estranhamente silencioso. Enquanto os massacres se sucedem na Líbia, com o assassinato de centenas de civis que lutam pela liberdade, os governantes portugueses, ao contrário de outros europeus, estão calados que nem ratos. Obviamente, já ninguém espera um gesto de decência, uma palavra inequívoca de condenação. Mas nem mesmo um singelo apelo à moderação do amigo (deles) Muammar Kadafi? Será que não emprestou e/ou pagou o suficiente?

BCE: aviso final a Portugal

Depois da entrevista de Durão Barroso, à BBC, chegou a vez de Jean-Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu, ser claro, muito claro: «Cabe aos países serem convincentes face à desconfiança dos mercados internacionais».

Não percebo

«Vara passa à frente de todos em centro de saúde. Ex-ministro socialista apareceu de surpresa, passou à frente de todos os doentes e deu ordens a uma médica para lhe passar um atestado».

domingo, fevereiro 20, 2011

Pinto Monteiro: o clone de Sócrates

As palavras de Fernando Pinto Monteiro ao programa "Gente que conta", da TSF, revelaram cristalinamente por que razão o Ministério Público vive um dos piores momentos da sua história. Em vez de colocar as questões com frontalidade e rigor, o PGR limitou-se a uma atitude autojustificativa e a sacudir a água do capote, como se a generalizada desconfiança em relação à Justiça fosse da responsabilidade de todos menos do líder do Ministério Público.
Cada um invoca a "crise externa" que mais lhe convém para disfarçar as responsabilidades próprias. Mas até numa entrevista dócil, para não lhe chamar incompetente, a informação ficou a ganhar. Basta atentar aos elogios do PGR ao actual ministro da Justiça, Alberto Martins, e até ao anterior, Alberto Costa. Está tudo dito!
P.S. Com tanta gente «elegante e sensata» a mandar na Justiça, aliás, bem secundada por quem tenta iludir os portugueses, o PGR não escondeu a ânsia de conseguir transformar o "segredo de Justiça" numa nova versão de "segredo de Estado". É o velho sonho de uma Lei da Rolha para os jornalistas.

sábado, fevereiro 19, 2011

Manchete, boa notícia ou mais um truque?

A redução do défice, anunciada na manchete do semanário Expresso, até pode ser uma boa notícia, a confirmar-se que a despesa pública está sob controlo, pelo menos durante o mês de Janeiro. Todavia, a avaliar pela evolução dos juros que o país tem de pagar para obter financiamento externo, o mais provável é que os números divulgados não passem de mais um truque. De facto, não é por o governo ser liderado por José Sócrates que este tipo de anúncios são credíveis e consistentes. Muito pelo contrário, basta atentar no que afirmou, com toda a propriedade, Soares dos Santos, líder do grupo Jerónimo Martins, um dia antes da publicação do Expresso:«Não vale a pena continuar a mentir. (...) Truques é com o Sócrates.».

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

Pedro Passos Coelho sem erros

O líder do maior partido da oposição foi à "Grande Entrevista", de Judite de Sousa, para afirmar, entre outras declarações serenas e sensatas, que um serviço público de televisão que custa 300 milhões de euros por ano é um mau exemplo num país que vive em dificuldades. E mais. Com um toque de autoridade, que começa a assentar-lhe bem, deixou um sério aviso: «O Governo tem de se despachar».

P.S. A notícia da agência Reuters, que dá como certo o pedido de ajuda de Portugal ao Fundo de Estabilização Europeu e FMI, em Abril, deu outra importância a uma entrevista oportuna.

Câmara de Lisboa: Uma vitória suada do MP

O Tribunal da Relação de Lisboa determinou que Carmona Rodrigues, os ex-vereadores da Câmara de Lisboa Fontão de Carvalho e Eduarda Napoleão e ainda Remédio Pires, dos serviços jurídicos da mesma autarquia, vão mesmo a julgamento. O recurso do Ministério Público acabou por ultrapassar uma decisão de primeira instância que, à data, ninguém conseguiu compreender. Finalmente, os cidadãos poderão compreender melhor a fantástica permuta de terrenos da Feira Popular e do Parque Mayer com o grupo Bragaparques.

Cartão do eleitor: erro ou chapelada?

Depois da monumental barraca no dia das eleições presidenciais, que o governo arrumou inacreditavelmente com a demissão de um director-geral, surge agora a intenção de
extinguir o número de eleitor, substituindo-o pelo número de identificação civil. Na actual conjuntura, em que parece valer tudo para manter o poder, a intenção agora avançada deve merecer o maior escrutínio.

Face Oculta: o poder e a Justiça

É mais um dos processos mediáticos que vão fazer correr rios de tinta, com 36 arguidos que vão a julgamento, depois da conclusão do debate instrutório. Com José Sócrates de fora, e com as célebres escutas com Armando Vara a bailar de um lado para o outro, ao ritmo de diversos despachos judiciais, a primeira conclusão é simples: Em Aveiro, como noutras comarcas do país, há magistrados que não têm medo do poder, nem tão pouco desta espécie de poder em funções. e que não se vendem em troca de mordomias, nem se amedrontam com escutas, vigilâncias e perseguições. Também na Justiça, o país divide-se em dois: por um lado, os que querem trabalhar com condições e dignidade; por outro, os que fazem de conta, sempre fortes com os fracos e fracos com os fortes.

O aviso de Mário Mendes

"Há risco de favelas à volta de Lisboa".
Mário Mendes, in Correio da Manhã

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Media: estado de alerta

Estamos a entrar na fase política propensa às últimas negociatas. Tal como aconteceu no passado, com a esquerda e a direita no poder, o fim de ciclo que se aproxima, a passos galopantes, exige um escrutínio ainda mais apertado em relação a todas as decisões governamentais.

Tráfico de armas:três décadas para investigar

Ricardo Sá Fernandes continua a insistir na necessidade de uma investigação da maior relevância para compreender a evolução da Democracia portuguesa: «Portugal era referenciado como o paraíso do tráfico de armas no princípio da década de oitenta».

Post do dia

O segredo Socra-Cola.

PS a desfazer-se

Alfredo Barroso, in Jornal i

Desemprego: novo máximo

A escalada alucinante do número de desempregados continua a fazer vítimas em Portugal.
No 4º trimestre de 2010, a taxa atingiu os 11,1%.
Mais um recorde para o que resta deste governo e do primeiro-ministro (ainda em funções).
P.S. Basílio Horta é um pândego. Então não é que o presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, que já foi do CDS/PP, tem dúvidas sobre se é bom para o país conhecer as análises do Banco de Portugal. Será que também é prejudicial que o INE revele os desgraçados números do desemprego?

O assalto ao BCP

O consulado da maioria socialista — a absoluta e a relativa —, ficará na história da democracia, seguramente por boas, mas sobretudo pelas más razões. Não é todos os dias que um ex-ministro das Finanças afirma que a «Caixa Geral de Depósitos financiou o assalto ao BCP, com luz verde do Governo e apadrinhada pelo Banco de Portugal, pela CMVM e pelo ministro das Finanças[Teixeira dos Santos». "E la nave va", não é? 

P.S. E a falta que faz, hoje, Vítor Constâncio...

Recessão e comunicação governamental

Mais uma vez, o primeiro-ministro utilizou a táctica habitual para tentar diminuir o impacto das más notícias sobre a economia e as finanças. Um par de dias antes do discurso de Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, que confirmou que o país já está em recessão, José Sócrates desatou a fazer uma festa com o crescimento económico, beneficiando de um jornalismo acéfalo que se limita a papaguear os discursos governamentais (modelo da RTP).

terça-feira, fevereiro 15, 2011

Francsico Louça: jogada de mestre

O líder do Bloco de Esquerda recuperou de uma só penada da derrota nas presidenciais. Ao apresentar a moção de censura, prestou um serviço ao país, clarificando a situação politicamente panatanosa que estava a asfixiar o debate público. E mais: encostou o PCP às cordas e conseguiu meter no mesmo saco o primeiro-ministro (Governo), Pedro Passos Coelho (PSD) e Paulo Portas (CDS/PP).
Agora, não há dúvidas relativamente a quem está a suportar a insuportável (des)governação socialista. E, a partir de agora, a oposição à direita do PS tem de comer e calar. Resta saber por quanto tempo.
P.S. O líder do maior partido da oposição tem de tirar consequências do tacitismo que está a liquidar a normal alternância democrática. Ao não liderar a oposição, como lhe compete, Pedro Passos Coelho foi obrigado a andar a reboque e a engolir (novamente) quem tanto tem criticado.

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

Crescimento económico: Mais do que copo meio cheio ou meio vazio

A revelação dos dados do INE relativos ao crescimento do PIB em 2010 fizeram regressar os truques de ilusionismo político do primeiro-ministro, que exultou com um crescimento de 1,4%. Aliás, não tarda nada, os cidadãos serão bombardeados com a a análise idiota do copo meio cheio ou meio vazio. Mas o que é realmente importante é sublinhar que o país não é viável com uma taxa de crescimento de 1,4%, tanto mais que o dinheiro que andamos a pedinchar por aí fora já ultrapassou os inimagináveis 8%.
Não será tempo de acabar com as meias verdades deste governo moribundo?

P.S. A contracção da economia no último trimestre de 2001 é um indicador preocupante. Para quem ainda tem dúvidas, basta uma rápida consulta das cotações bolsistas para perceber como é dramática a situação do país.

P.P.S. O choradinho oficial que anda por aí, a propósito dos recentes casos de idosos que morrem em casa, sozinhos e abandonados, é ultrajante, simplesmente ultrajante.

domingo, fevereiro 13, 2011

Democracia: ambiente pesado à portuguesa

Um dos maiores estrangulamentos da vida pública é a falta de renovação da classe política. Não faltam exemplos, desde Paulo Portas (CDS/PP), Alberto João Jardim (PSD Madeira), António Almeida Santos (PS), Carvalho da Silva (CGTP) e João Proença (UGT), entre muitos outros. Mas também não faltam ex-líderes que não saiem de cena, nem depois de serem dispensados por imposição constitucional e/ou vontade popular, como são os casos de Mários Soares e Jorge Sampaio (PS), Marques Mendes, Pedro Santana Lopes e Morais Sarmento (PSD), entre muitos outros. Afinal, e à falta de melhor, o espírito de missão e os sacrifícios da exposição pública não são assim tão pesados, pois não?

sábado, fevereiro 12, 2011

Quem tem medo do voto?

Uma estranha aliança surgiu: os fiéis de Sócrates, os inimigos de Pedro Passos Coelho e a corte do costume. Esta santa aliança, que no passado apenas tinham outras moscas com outros nomes, desataram a vociferar contra a moção de censura apresentada pelo Bloco de Esquerda, esquecendo que o país não aguenta mais esta governação de ilusões e mais negociatas de Estado.
Uns não querem perder o poder e as benesses; outros têm medo que o poder caia nas mãos de quem já os conhece de ginjeira; por último, os parasitas do costume querem evitar quaisquer mudanças que os coloquem em risco.
Por tudo isto, a opção política de Francisco Louçã teve três vantagens: não agradou a esta espécie de PS; incomodou o tacitismo da nova liderança do PSD; e agitou o chiqueiro em que a estabilidade está transformada.

Chamem o Figo

Apesar de Rui Pedro Soares, João Carlos Silva e Américo Tomati já não poderem dar uma mãozinha, e da PT e do Taguspark terem sido obrigados a operações mais cuidadosas, a situação complicou-se para o primeiro-ministro. Quase que apetece ironizar: Será que vamos ter, em breve, mais um pequeno almoço entre José Sócrates e Luís Figo?