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Rui Costa Pinto - Jornalista/Editor/Publisher

sexta-feira, maio 28, 2010

SMS, voos e gargalhadas

As respostas do primeiro-ministro, à Comissão de Inquérito Parlamentar ao negócio PT/TVI, que pretendem atestar que o próprio não mentiu ao parlamento, aparentemente encerram outra mentira, como revelou o semanário "Sol". (Gargalhada)
Então não é que, a propósito do momento em que soube do saneamento de Manuela Moura Guedes, José Sócrates afirmou que só soube da notícia pela comunicação social – presume-se, informalmente –, omitindo que recebeu antes da divulgação pública da notícia uma mensagem do diligente amigo Vara com tão inesperada novel? (Mais gargalhadas)
Aparentemente, a razão para tal desfazamento deveu-se ao facto de Sócrates estar a voar no momento em que recebeu o SMS. (Mais gargalhadas).
Entre um voo e outro, a SIC já pediu ao Ministério da Defesa para confirmar tão ilustre state flight (Mais gargalhadas).
Querem ver que vai começar o calvário aéreo: da Defesa para o INAC, do INAC para a NAV, da NAV para o Ministério dos Transportes, do Ministério dos Transportes para o Eurocontrol e do Eurontrol para o esquecimento. (Ainda mais gargalhadas).
Este rosário faz-me lembrar rotas passadas. E o rídiculo continua a cobrir o primeiro-ministro de Portugal...

Opacidade e bizarria ganham terreno

Num país em que um pedido de esclarecimento assume contornos de desafio, em que as medidas governamentais são decididas à socapa e em que o pragmatismo é invocado pelo ministro das Finanças para contornar a lei, não é de estranhar a patética declaração de Francisco Assis para adiar o debate sobre a redução do número de deputados. Aparentemente, quando toca a cortar no desperdício público, evidente aos olhos dos portugueses, a estratégia é agarrar o tacho e acusar de demagogia quem pretende promover o debate. Até apetece citar Belmiro de Azevedo, que acusa o governo de falta de transparência.

O lado mais forte de Durão Barroso

O presidente da comissão europeia fez duras críticas a Merkel. Como sempre, falou tarde, muito tarde, com a União Europeia em chamas. Falta de coragem? Não! Esperou o tempo suficiente para colocar-se ao lado dos mais fortes. Aparentemente, para Durão Barroso, a Alemanha passou a estar isolada.

Não digas nada

«A Manela não apresenta mais o jornal. Mas não digas nada».
Os diligentes amigos são tantos. As atenções são tantas. Os favores são tantos. Mas ele nunca sabe de nada, nem se recorda do que quer que seja.
P.S. Seria interessante saber o que pensam os ex-jornalistas/assessores sobre o governo para que (ainda) continuam a trabalhar. Porventura, também não sabem de nada, nem dizem nada a ninguém.

Banal, mas impressionante

O slogan que se ouviu na manifestação dos polícias, ontem, na Avenida da Liberdade, não surpreende, mas continua a impressionar: «Sócrates, aldrabão! Os polícias têm razão!»

quinta-feira, maio 27, 2010

Despedimentos nos Media?

Nos últimos dois dias, JN e Jornal de Negócios, duas referência da imprensa escrita, foram oferecidos aos leitores. A grande questão é saber como vão reagir os principais títulos da comunicação social com a crise a ganhar cada vez mais terreno. Será que vamos assistir a mais e melhores notícias, mais marketing ou a uma vaga de despedimentos?

Uma questão de direito

A condenação do semanário Sol e dos jornalistas que assinaram os artigos com as escutas do processo "Face Oculta" envergonham a justiça portuguesa. Com sucessivas condenações no tribunal europeu dos Direitos do Homem, em diversos processos, o poder judicial reforça a posição de violação dos direitos de informação. Não é com a perseguição aos jornalistas que a justiça conseguirá sair do actual estado de descredibilização, aliás, bem patente após a conclusão da investigação do Ministério Público do processo aberto em Aveiro..

quarta-feira, maio 26, 2010

Evitar o debate inquinado

A comissão de inquérito parlamentar ao negócio PT/TVI encerrou as audições. E não pretende colocar mais perguntas ao primeiro-ministro. Esperemos que as conclusões finais não sejam um grande flic-flac à rectaguarda, com Pacheco Pereira com as barbas de molho. A acontecer, a opacidade de hoje, porventura pelas estafadas "razões de Estado", apenas implicaria, a breve prazo, que o debate voltaria a ficar inquinado pelas revelações agora não divulgadas. Tipo DVD, com a chancela de Charles Smith, lembram-se?

Salvar a pele

Pedro Passos Coelho está a tentar corrigir o discurso a toda a velocidade. Aparentemente, já percebeu que correram mal, muito mal, aquelas coisas coisas do apoio-mas-não-apoio e do pedido de desculpa – esperemos que tenha aprendido que Sócrates é inimitável e que apenas tenha sido influência de um adjunto pouco inspirado.
Hoje, no American Club, o líder do maior partido de oposição corrigiu o discurso: «A responsabilidade é do Governo e cabe-lhes mostrar que estão à altura. O PSD já deu o seu contributo».
Assim, sim. O governo a governar e a oposição a escrutinar.

Bem-vindos ao grupo dos 'inimigos'

Basta abrir um jornal, ouvir um pouco de rádio ou ver o mínimo de televisão para perceber que o clima político mudou. José Sócrates caiu mesmo em desgraça. Surpreendentemente, alguns dos mais recentes críticos do chefe do governo são os mesmos que passaram os últimos anos a tentar justificar a desgovernação e a apontar o dedo aos que nunca se coibiram de opinar, livremente, sobre a actuação do PM, desde a maioria absoluta. Mas só os burros é que não mudam, não é? Oportunistas ou não, sejam bem-vindos ao grupo dos 'inimigos' do PM, ou seja ao grupo dos livre-pensadores.
P.S. Críticas muito assertivas e frequentes ainda podem ser classificadas por um qualquer tonto como atitudes persecutórias ou motivadas pelo ódio.

terça-feira, maio 25, 2010

O povo não se resigna

segunda-feira, maio 24, 2010

A contestação vem aí

O próximo dia 29 é um dia especial. É um dia de manifestação contra a irresponsabilidade governamental. É um dia para recordar aos governantes que não podem continuar a desgovernação. É um dia para os alertar que não podem continuar a mentir, nem continuar comparar o crescimento, o endividamento e o desemprego portugueses com os registados noutras economias com mais músculo económico e financeiro. É um dia para demonstrar que não nos resignamos. Nem os de esquerda, nem os de direita. Tal como em 2 de Março de 2007. É o dia de participar. Afinal, há sempre uma primeira vez.

Marcelo regressa ao velho estilo

Incisivo, pedagógico e, sobretudo, mais descontraído. É o regresso ao estilo que consagrou Marcelo Rebelo de Sousa como o principal comentador político. Afinal, é o regresso a casa. Como se os cinco anos de passagem pela estação pública tivessem sido um pesadelo forçado. Agora, ninguém o tira de lá nos próximos anos.
P.S. Júlio Magalhães conseguiu.

Futebol arranca com Sócrates no pé

Os resultados da selecção nacional vão determinar o tempo de permanência que ainda resta a José Sócrates na liderança do governo. É triste, mas é assim. Para o bem e para o mal. Esperemos que Portugal, no jogo contra Cabo Verde, comece a vencer.

domingo, maio 23, 2010

Labirinto de José Sócrates

«Sócrates não antecipa os problemas, reage aos problemas. Não vê as evidências, nega-as. Não comanda, vai a reboque.(...) O problema é que o labirinto de José Sócrates é o nosso. Estamos prisioneiros da ilusão. A realidade está lá fora e é assustadora.»

Luís Marques,in Expresso (via A Roda)

"O mundo mudou" assim tanto em mês e meio?

«Certamente Freud saberá explicar esta tendência para o nosso PM explicar que o que de bom ( ou menos mau ....) acontece se deve à sua bravura, ao seu estoicismo, o seu exemplo, que guia Portugal para rios de leite e mel ( que hão-de chegar...). E que o de mau acontece se deve a um ambiente adverso, à conjuntura internacional, aos especuladores, aos mercados, aos sindicatos, ao PR, às agências de rating, ao senhor Zé da Tasca, ao carteiro que se enganou na morada ... a todos eles que como diz a canção, se uniram (ingratos...) para tramar Sócrates, o Grande Timoneiro».
João Melo, in O Andarilho

Novo recorde de Sócrates

Portugal à beira dos 600 mil desempregados.

sábado, maio 22, 2010

Por outras palavras

«Pode-se encolher os ombros e dizer, como se fosse a coisa mais natural do mundo, "toda a gente sabe que ele mentiu", e depois? Não mentem todos? Pode-se dizer que foi uma tentativa que não passou de uma tentativa que acabou por não se concretizar (não é bem verdade...)? Pode-se dizer que isso são águas passadas e que hoje temos tantas coisa importantes para tratar, que isso é uma distração ou uma vendetta? Pode-se de facto dizer muitas coisas destas, mas esta enorme indiferença de jornalistas e, mais do que de jornalistas, de muita da nossa elite, é o terreno privilegiado da acédia, que depois se transmite como uma doença para todo o lado. É como a corrupção, um mal cuja aceitação social tem mecanismos muito semelhantes».
Vasco Pulido Valente via Portugal dos Pequeninos

sexta-feira, maio 21, 2010

O regresso de Marcelo

O anúncio não surpreendeu. Marcelo Rebelo de Sousa regressa à TVI. É uma boa notícia. A estação volta a estar presente, em termos mediáticos, na primeira linha do panorama do comentário político.

Os carrascos da esquerda

O debate da moção de censura apresentada pelo PCP revelou uma realidade política diferente. Com José Sócrates incapaz de disfarçar o cansaço e a derrota, exposto a críticas nunca vistas – desde irresponsável a mentiroso –, a bancada parlamentar socialista consubstanciou uma transformação assinalável. Não surpreendeu o apoio político da maioria ao governo. O que realmente impressionou foram os termos desse apoio. Os discursos de Afonso Candal e Francisco Assis disseram tudo. Com o partido no bolso pequeno do casaco, José Sócrates só chegou ao actual desplante porque sempre contou com a cobertura ao mais alto nível do PS. O ilusionismo político a que chegámos não seria possível sem a amanuência seguidista e politicamente acéfala das principais referências do aparelho socialista. Quando começa a cheirar cada vez mais a fim de ciclo, importa sublinhar que a desgovernação não é apenas da responsabilidade do primeiro-ministro. Tem de ser partilhada com quem o tem sustentado de uma forma politicamente obscena, a roçar o insulto, o insólito e o ridiculo. A curto prazo, a responsabilidade da inevitável condenação do PS a uma longa cura de oposição não poderá ser suportada apenas por José Sócrates. Tem de ser partilhada com os oportunistas, os aparatchics, a bancada parlamentar e os barões do PS.

Condições políticas

O argumentário em favor de um entendimento entre PS e PSD para promover condições políticas de governação é de um cinismo político ultrajante. Foi precisamente a maioria do PS, alcançada, em 2005, que conduziu o país ao abismo. As eleições de 2009, que deram a maioria relativa ao PS, foi o passo em frente. Não houve falta de condições políticas para governar, lembram-se?

Já batemos no fundo?

A desgovernação é de tal forma evidente que o status quo político passou a ser a crise dentro da crise. A possibilidade da queda do governo é cada vez mais o único sinal de esperança no curto prazo.

quinta-feira, maio 20, 2010

De Mota Amaral ao intelectualmente grotesco

A posição de Mota Amaral, que preside à comissão de inquérito ao negócio PT/TVI, a propósito da recusa de utilização das escutas que estão no processo "Face Oculta", então solicitadas pela própria comissão, é um fermento para o antiparlamentarismo. Ora, é tarde para lágrimas de crocodilo de conveniência. Se a comissão as pediu, então os deputados têm o direito a utilizá-las.
Infelizmente, enquanto a corte do costume protege os seus interesses, nem que seja ao jeito mafioso – Al Capone também gritou que não tinham provas contra ele, enquanto as tentava eliminar ou ocultar –, este tipo de situações intelectualmente grotescas facilitam a confusão entre a instituição da comissão parlamentar de inquérito e o seu funcionamento, em Portugal, pautado por este ou aquele aparatchic.

Proposta (in)decente

A decisão política de esconder o défice já não é segredo de Estado. Hoje, ninguém tem dúvidas que José Sócrates mentiu ao país para poder ganhar as últimas legislativas. A questão é tão óbvia e grave que Abel Mateus, ex-presidente da Autoridade da Concorrência, teve a lucidez de defender a constituição de uma comissão de inquérito para apurar a (in)decência da quase duplicação do défice no espaço de semanas. Obviamente, a corte do costume, que considera que as contas do défice apenas são conhecidas no último dia do exercício, vai varrer o assunto para debaixo do tapete ou do Mundial do futebol. Até será capaz de avançar com os tontos do costume para justificar o inustificável e zurzir nas comissões de inquérito. Aliás, Vítor Constâncio até já está no Banco Central Europeu.

quarta-feira, maio 19, 2010

O verdadeiro repórter

Nani deu uma entrevista à SIC, enquadrada numa espécie de reportagem sobre o dia-a-dia da estrela do Manchester United, a que vulgarmente chamam "24 horas com". O tom imbecilizante do repórter de serviço para este tipo de trabalhos com o jogadores de futebol não surpreendeu. O que mais chocou foi a ausência de uma referência, ou até de uma imagem, a um livro ou até a uma qualquer leitura da vedeta. Porventura, o infotainment rende, tal e qual como as referências à Nintendo Wi-Fi, sabonetes ou bruxos, mas depois ninguém se pode queixar de um povo ignorante e incapaz de distinguir a ficção da realidade, um líder de um mentiroso, uma política de um truque.

O principal problema

A entrevista de José Sócrates foi mais do mesmo. O mesmo discurso delirante, as mesmas perguntas pertinentes sem continuidade consequente em função das respostas. Enfim, foi mais do mesmo quando não há eleições à vista. Ainda assim, valeu a pena: ficou ainda mais claro que a contunuidade da liderança de Sócrates é ainda mais grave do que a crise e o desemprego.

P.S. A decisão de Fernando Ulrich abandonar o sindicato que vai financiar o troço Poceirão-Caia do TGV é inédita e assume contornos políticos. De facto, é uma decisão que ultrapassa a dimensão do vulgar banqueiro.

terça-feira, maio 18, 2010

BP: Desastre esquecido?


Até parece que já estamos habituados aos desastres ecológicos. E que o derrame de petróleo no golfo do México é mais do mesmo e já não é notícia.

segunda-feira, maio 17, 2010

Casamento gay: socialistas de parabéns

É um dia histórico. Por duas razões: José Sócrates cumpriu uma promessa eleitoral; E Portugal transformou-se num país em que o sonho da igualdade de direitos passou a estar mais próximo da realidade com a promulgação do diploma que permite o casamento entre homossexuais.
P.S. Aníbal Cavaco Silva deu o passo que faltava para a reeleição.

domingo, maio 16, 2010

Será Seguro?

É preciso não esquecer que, nas últimas legislativas, nenhum dos 'barões' do PS teve a coragem política de demarcar-se de José Sócrates. Agora, na hora da sucessão, quando António José Seguro, ou outro qualquer, considerar que chegou o momento em que «pode ser útil» provavelmente será tarde. A actual governação está a obrigar a profundas mudanças na consciência política colectiva. O tempo em que as lideranças estavam escritas nas estrelas pode ter acabado.

sábado, maio 15, 2010

Os papa-reformas

Saldanha Sanches, na última crónica publicada no Expresso depois da sua morte, deixa-nos uma reflexão importante: as obras públicas desnecessárias, que acabam por anular o efeito benéfico de qualquer reforma, e os papa-reformas propriamente ditos, que começam a acumular reformas desde tenra idade.