VER O OUTRO
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Na sexta semana de confinamento domiciliário, no meio desta crise que desorganizou por completo a vida de toda a gente, olho à volta e não tenho coragem para me queixar de nada. Pelo contrário, sinto-me um privilegiado. Os tribunais foram a primeira instituição pública a entrar em serviços mínimos. Uma semana antes da declaração do estado de emergência, já estava a trabalhar em casa, com acesso remoto aos processos, usando o equipamento que o Estado me entregou e com oficiais de justiça no tribunal a quem posso pedir apoio. Sou eu que aplico a lei que determina os actos que devem ou não ser praticados e decido, no limite, o que tenho de fazer, quando e em que condições. Se, por qualquer razão, tiver de me deslocar ao tribunal e sentir que não me são dadas suficientes condições de segurança, posso simplesmente optar por não ir. Ou seja, no plano profissional, sou dos que se encontram numa situação de exposição ao risco de contágio mais controlada».
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