O DRAGÃO
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A espera acentuava-lhe a emoção, conhecer finalmente o “Dragão” em carne e osso era um acontecimento. Tinha aprendido que na sala de audiências o real é mais verdadeiro que a realidade, os factos descritos no papel (agora digitalizados?) são mais vivos e intensos, é preciso aprender o caminho que vai da acusação ao julgamento naquele lugar teatral. Anunciada a abertura da sessão, lá vem ele conduzido pela polícia para o centro da teia, onde ficou especado a olhar para nós, sem expressão. Era um homenzinho incrivelmente insignificante, baixo, magro, não assustava ninguém, falava num murmúrio, que raio de desilusão. Provavelmente a marca dos muitos anos de reclusão, respondia agora por tráfico de droga durante as saídas precárias e na prisão. Parecia drogado, eu desfeita em deceção, ele afinal entendido pede ao juiz presidente para falar com a senhora procuradora, “oh! homem você aqui, só fala com o tribunal!”, que tarde. Volto à tábua das marés que a temporada também dá para afogamento».
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