A tática do temor reverencial
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Conhecendo, pela primeira vez nesta legislatura, sérias dificuldades de gestão política, os socialistas recuperaram, em jeito de aviso, a máxima de que "quem se mete com o PS leva", uma declinação do princípio de que qualquer ataque ao PS é um ataque ao regime, à democracia, ao Estado de Direito. Quando se sentem atacados, desmerecidos, os socialistas alinham sempre a mesma estratégia combativa de atemorizar o adversário, mostrando-lhe que está a meter-se com algo grande demais, importante demais. Chamemos-lhe de tática do temor reverencial. Não foi apenas com José Sócrates que essa tática foi utilizada. O ex-primeiro-ministro pode ter-lhe dado nova dinâmica, mas desde Mário Soares que é assim; e há razões históricas para isso, que se fundam no papel do PS na consolidação da democracia, para onde desaguou uma importante parte da nossa intelectualidade e tecnocracia, o que criou uma certa identificação com o regime e uma certa ilusão de transversalidade social e política. Esta forma de reação dos socialistas mantém-se desde 1974 porque resulta, há que reconhecê-lo».
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