UM PRÉDIO CHAMADO DESEJOS
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Podemos imaginar-nos aprisionados no prédio Coutinho, do alto patético dos seus treze andares em ruptura com a realidade. (...) Recuperei há dias uma velha fotografia dos tempos em que frequentávamos as praias frias perto de Viana do Castelo, tínhamos subido ao alto do Monte de Santa Luzia, eu, o Zé Luís, a filha L , a sobrinha M, víamos a cidade melancólica lá em baixo, o nevoeiro esbatia a ternura do sorriso delas, fingíamos não ter frio nas roupas leves demais e os nossos desejos eram tão fáceis e banais como conhecer uma cidade bonita, ser feliz. Isto não é sobre um caso é sobre um país. Ninguém é feliz num Estado de hipergarantismo patológico onde a execução das sentenças se arrastam numa quase impossibilidade, num sofrimento judiciário e humano inexplicável. Desejos impossíveis e gélidos como as praias de Viana».
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