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Rui Costa Pinto - Jornalista/Editor/Publisher

quinta-feira, setembro 30, 2010

Sócrates de fora

É triste o espectáculo de quem fala muito em servir o país, mas tem pouco para demonstrar que o serviu com verdade e lisura. No debate quinzenal, José Sócrates bem pode tentar vestir a pele de Estado, mas já todos os portugueses perceberam que já não pode continuar a liderar o Estado. As eleições antecipadas são uma inevitabilidade. Foi pena que José Sócrates não tenha tido a grandeza de sair antes de levar o país à actual situação de humilhação internacional e de assalto aos bolsos dos contribuintes.

O desastre anunciado

O primeiro-ministro que anunciou recentemente que o Portugal era o campeão do crescimento é o mesmo primeiro-ministro que tem de anunciar novas medidas draconianas para evitar que o país caia no abismo que tem ajudado a criar com a política aventureira, incompetente e arrogante.

domingo, setembro 26, 2010

Justiça Fiscal

A fiscalidade não tem que ser um tema denso e impenetrável. A prova é a edição de "Justiça Fiscal", de José Luís Saldanha Sanches. Palavras reflectidas e simples que merecem ser lidas e relidas.
P.S. A edição é impecável. Estão de parabéns a Fundação Francisco Manuel dos Santos e Relógio d'Água Editores.

sexta-feira, setembro 24, 2010

Sócrates a falar sozinho

A dimensão da corte do costume

João Duque, um dos mais credíveis comentadores de assunto económicos, revelou, na SIC, a dimensão da corte que vive à custa do Estado. De sublinhar dois exemplos gritantes: mais de 13 mil instituições dependen do Estado; e mais de 600 fundações beneficiam de todo o tipo de isenções. Com estes números, talvez seja mais fácil compreender a influência asfixiante da corte do costume, bem como a dimensão da mistificação em curso que tenta a todo o custo repartir a responsabilidade do actual estado do país entre José Sócrates e o líder do maior partido da oposição.

Começou a fuga de Sócrates

A declaração do primeiro-ministro, em Nova Iorque, para anunciar a intenção de apresentar a demissão no caso do Orçamento de Estado para 2011 não ser aprovado, é duplamente infeliz. Por um lado, é a constatação da fuga às responsabilidades; por outro, parece esquecer que o governo pode ser obrigado a ficar em funções durante longos meses. Afinal, não teria tudo sido mais simples se a clarificação tivesse ocorrido antes de 9 de Setembro?

quinta-feira, setembro 23, 2010

Falta de sentido de responsabilidade

Enquanto no parlamento os deputados discutiam as finanças públicas, num debate da maior importância, o primeiro-ministro voava para Nova Iorque. Vem aí mais uma subida de impostos, não é?

O primeiro-ministro vai falar

Paulo Portas já deve estar à espera que o telefone toque: — O primeiro-ministro vai falar! Depois de Pedro Passos Coelho ter colocado José Sócrates no devido lugar, obrigando-o a apresentar um Orçamento de Estado credível e rigoroso, de acordo com as duas exigências que o PSD manifestou frontal, responsável e atempadamente. O que será que poderia haver para negociar? Mais um truque?

FMI muito mais perto

Quando o ex-presidente da República, Mário Soares, vem a terreiro dizer que a entrada do FMI em Portugal não é uma tragédia, então estamos realmente face à iminente intervenção do FMI para obrigar José Sócrates a meter as contas públicas em ordem.

quarta-feira, setembro 22, 2010

Paulo Bento: prémio merecido

A selecção nacional de futebol necessita mais de um treinador sério do que competente. A escolha de Paulo Bento é uma decisão acertada. Pode não ser o melhor treinador do mundo, mas será, seguramente, um treinador dedicado.

terça-feira, setembro 21, 2010

Demitam-se

Laurentino Dias e Luís Horta não têm quaisquer condições para permanecer nos respectivos cargos depois de Carlos Queiroz ter apresentado uma queixa-crime por indícios de fraude processual.

segunda-feira, setembro 20, 2010

Bem-vindo Manuel Maria Carrilho

Manuel Maria Carrilho foi corrido por pensar e escrever com liberdade. É claro que a corte do costume vai apresentar mil e uma maneiras de justificar o afastamento da UNESCO. E até é capaz de insinuar que o silêncio é devido por quem ocupa tão altas funções. Enfim, o rosário triste a que temos assistido. O que conta, é o pensamento e a obra. Por isso, aqui fica a referência ao último livro: "E agora?".

domingo, setembro 19, 2010

A velha fórmula do medo

Depois do papão comunista, encenado por Mário Soares e António Guterres, chegou a vez de José Sócrates regressar à formula do fantasma neoliberal, como se algum dia tivesse recusado a companhia dos novos e velhos donos do capital.. Entretanto, o país afunda, cada vez mais, arrastando o regime democrático para o abismo.

sexta-feira, setembro 17, 2010

TIAC de pé

Luís de Sousa e Paulo Morais estão de parabéns. Conseguiram erguer a TIAC ( Transparência e Integridade Associação Cívica), cuja cerimónia de constituição decorreu no Instituto de Ciências Sociais, em Lisboa. O feito tem um significado especial, tanto mais que surge no momento em que o poder político manifesta ausência de vontade política para enfrentar o fenómeno da corrupção e a liderança do Ministério Público atravessa a maior crise dos últimos 30 anos.

E agora, segue-se o pânico

Depois de todas as promessas, mentirolas, truques, cafés da manhã e cerimónias pomposas à tarde, acompanhadas de um esbanjamento extraordinário, eis a realidade a surgir em todo o esplendor.
P.S. O site do SOL está com mais brilho.

O requinte do sofisma

A corte do costume tem multiplicado esforços para convencer os papalvos que vem aí o caos se não houver acordo entre o PS e o PSD para fazer aprovar o Orçamento de Estado para 2011. Curiosamente, esquecem que há outros partidos à esquerda do PS. E mais, até esquecem que, se o Orçamento for chumbado, o país não está condenado a viver em regime de duodécimos, pois o governo pode apresentar um novo orçamento. Se não passar à primeira pode sempre passar à segunda. Qual é o drama!? O governo até tem um seguro de vida por mais seis meses.

quarta-feira, setembro 15, 2010

Saúde à portuguesa

Ana Jorge disse que o «Serviço Nacional de Saúde (SNS) ainda não está como gostaria, mas lembrou que está cada vez mais forte». Não está como gostaria? Mais forte? Há quantos anos é que os portugueses ouvem estas tretas? Na realidade, os fornecedores ficam a arder anos a fio, os privados ganham cada vez mais espaço, à custa dos contribuintes, e os doentes do serviço público continuam a esperar meses por uma cirurgia ou por uma consulta. Mas há que manter a fé. Aliás, à boa maneira portuguesa, uma cunha tendencialmente partidária ainda tem muito valor no SNS, não é?

A receita do costume

A falta de imaginação desta espécie de PS dá sempre em insulto ou em mentirola. Mais uma! A reacção de Francisco Assis ao anúncio do projecto de revisão constitucional do PSD é disso um flagrante exemplo. Tenta-se esconder que este é o governo que mais tem atacado o Estado Social, acusando o adversário de ter a intenção de... atacar o Estado Social.

segunda-feira, setembro 13, 2010

Pedro Passos Coelho a falar claro

As declarações de Pedro Passos Coelho, à SIC, revelam que o líder do maior partido da Oposição está cada vez mais seguro e com força para resistir às pressões de dentro e fora do PSD. De facto, já basta de ilusionismo político e desprezo pelas promessas feitas aos portugueses. Quem não consegue cumprir o que prometeu em Portugal e em Bruxelas não tem credibilidade. E se não tem credibilidade não pode continuar a governar, como muito bem sublinhou Pedro Passos Coelho.
P.S. Apesar de estar cada vez mais dependente do humor de José Sócrates, até Alberto João Jardim é capaz de compreender que o líder do PSD tem razão.

sábado, setembro 11, 2010

Estrela de Alegre

É triste assistir a Manuel Alegre de braço dado com o pior do PS. Mas não é surpresa. Com a aproximação das presidenciais, Francisco Louçã vai passar um mau bocado, lá isso vai.

PGR de rastos


O último comunicado do Conselho Superior do Ministério Público traduz a dimensão da crise em que a Justiça está mergulhada. «Todos os agentes do Ministério Público devem usar sempre de rigorosa ponderação, por forma a que dos actos processuais que praticam ou das declarações que produzem não resulte a mínima suposição de que actuam fora de um quadro estritamente jurídico»

No país dos amigalhaços

Nos últimos tempos, assistimos a polémicas que envolveram três figuras públicas: Rui Pedro Soares, Armando Vara e Carlos Queiroz. Os primeiros, amigos pessoais de José Sócrates, foram afastados com indemnizações chorudas; o último foi despedido com justa causa.

11 de Setembro de 2010

A memória do 11 de Setembro continua na mente de todos aqueles que presenciaram as imagens do horror. Dez anos depois, o mundo está mais seguro? A paz ganhou terreno? Os direitos civilizacionais estão assegurados? Não. A realidade revela outro tipo de guerra fria, tão criminosa, paranoica e impune como a original. Hoje, em nome da segurança, os direitos individuais dos cidadãos são esmagados às mãos de poderes inescrutáveis com força para vergar os pilares da Democracia.

sexta-feira, setembro 10, 2010

Acima da lei e dos tribunais

O rocambolesco episódio a propósito da disponibilização do acórdão do processo "Casa Pia" ainda não deu origem, estranhamente, a qualquer tomada de posição governamental. Nem tão pouco a um inquérito, que urge abrir para saber, exactamente, o que se passou. Para já, apenas uma explicação extraordinária do Conselho Superior de Magistratura. Vale o que vale, tal e qual como as palavras de Noronha Nascimento na véspera da leitura do acórdão "fantasma". Se é assim que a Casa Pia pode ajudar a credibilizar a Justiça ...

quinta-feira, setembro 09, 2010

Justiça no país das novas tecnologias

O atraso na disponibilização do acórdão do processo "Casa Pia" é o retrato fiel de uma Justiça esmagada pela incompetência, arrogância e impunidade. Aliás, bastou um pequeno incidente informático irrelevante para deitar por terra a ilusão de que vivemos no país da novas tecnologias.

terça-feira, setembro 07, 2010

Há alguma coisa para festejar?

A rentrée partidária trouxe um estranho clima de festa, com bandeiras a esvoaçar sobre uns rostos com um ar bronzeado e aparentemente feliz. Quando vejo aquelas imagens, fico sempre com a mesma dúvida: aquelas criaturas são pagas ou são simplesmente acéfalas?

segunda-feira, setembro 06, 2010

Faz-de-conta e acerto de contas

Aníbal Cavaco Silva apelou à união dos portugueses. E até afirmou que não lhe passa pela cabeça que os partidos com repreentação parlamentar não cheguem a acordo para viabilizar o Orçamento de Estado, leia-se qualquer Orçamento de Estado.
A "coerência" formal do presidente da República é inatacável, tanto mais que tem permitido a José Sócrates a governação que nos colocou na actual situação. Eis um faz-de-conta que merece ser debatido no momento eleitoral das presidencias para acertar as contas.

sábado, setembro 04, 2010

Ricardo Cardoso: um juiz sereno

O juiz desembargador do Tribunal da Relação de Lisboa fez comentários responsáveis e pertinentes na SIC Notícias após o acórdão do processo "Casa Pia". E nunca escamoteou a dimensão humana da Justiça. A Justiça ficou a ganhar.
P.S. O magistrado só surpreendeu por ter aparecido, publicamente, despido do habitual "papillion".

sexta-feira, setembro 03, 2010

Casa Pia: Do erro ao crime

Passados oito anos, realizadas milhares e milhares de inquirições, interpostos dezenas e dezenas de recursos e produzida a prova em tribunal, em que as defesas puderam fazer uso de todas as garantias, o acórdão do processo "Casa Pia" determinou a condenação de seis dos sete arguidos. Ninguém razoável pode invocar a possibilidade de um erro judiciário. A existir um qualquer atropelo, a justificação teria de ser bem mais grave. Teria de ter existido uma associação criminosa a funcionar ao mais alto nível do Estado e da Justiça.

quinta-feira, setembro 02, 2010

A rentrée

«Nunca percebi por que razão leio notícias na imprensa que resultam daquilo que os políticos dizem e não daquilo que fazem ou não fazem. A tendência da imprensa para repetir a linguagem do poder sem a sujeitar a um teste de verdade encontra-se frequentemente num tipo de notícias construídas a partir de declarações de personagens públicas».
Pedro Lomba, in Público

Quando o ruído parte da magistratura

A leitura do acórdão do processo "Casa Pia" não vai fazer milagres. Nem apagar os problemas de uma Justiça implacável com o cidadão e reverenda com o poder. Para quem pudesse ter dúvidas, basta atentar no timing desastroso das declarações de Noronha Nascimento e Bravo Serra.

quarta-feira, setembro 01, 2010

PGR: tiro ao lado

As declarações de Fernando Pinto Monteiro, após a audiência com o presidente da República, tiveram o mérito de tornar mais claro que é necessário ajudar o PGR a terminar o mandato com dignidade. De facto, e contrariamente ao declarado, não cabe só ao poder político decidir que espécie de Ministério Público quer ter. Não há lei, nem tão pouco qualquer tipo de reforço de poderes, que seja capaz de credibilizar uma magistratura cuja principal vulnerabilidade reside na forma como tem sido liderada.